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O PIB e a Educação no Brasil

O PIB E A EDUCAÇÃO NO BRASIL

Educadoras e educadores, em todo o país, há décadas, vêm reivindicando mais verbas para a educação. Os governos, em suas formas específicas de governança, têm tido pouca sensibilidade quanto à temática, mesmo que seja, juntamente com saúde, aquelas que mais se discorrem em campanhas eleitorais. Os tamanhos das promessas são diretamente proporcionais à ausência do cuidar dessas questões.

Os índices em percentuais de aplicação em educação, referente à produção da riqueza nacional, têm variado de 3,5% até os atuais índices, em torno de 5%. Mas, recentemente, o movimento nacional pela educação, gerador de importantes conferências em todo o país, encaminhou e foi aprovado pelo plenário da Câmara Federal, o índice de 10% do produto interno bruto, até o ano de 2020. A questão que se apresenta é: esse valor é suficiente?

A comparar com outros países de maior influência internacional, o crescimento dos mesmos passou, necessariamente, por um forte investimento em educação. A tradição desses países tem sido de valorizar a educação do educador, a condição de estudo e aprendizagem dos estudantes, além da qualidade de suas escolas. Países europeus em sua maioria, países asiáticos e também países americanos puderam mostrar a sua força em conhecimento e em tecnologia, por meio de aplicação de recursos de forma maciça em educação. Mas, há aqueles que comparam essa possibilidade de investimento (10%), pois ainda não foi totalmente aprovado, com aqueles países, mostrando a irrealidade de se chegar a esse índice e a não necessidade de tamanha quantia. A Dinamarca que tem maior quantia investe apenas 7% de seu produto interno bruto (PIB). O Japão aplica 3,1% de se PIB em educação; a Finlândia, 5,6 e a França, tão somente, 4,9. Para essa visão crítica, não se precisa de mais verba para a educação e sim, maior ênfase, na gestão dessa dinheirama.

Acerta essa visão ao destacar a necessidade de melhor gestão financeira geral nos processos educativos. Equivoca-se, totalmente, ao comparar de forma fria e numérica o percentual de investimentos daqueles países e o Brasil. O acúmulo de desprezo que tem ocorrido para com a educação no país promoveu tal distanciamento dos indicadores educacionais do estudante brasileiro incomparáveis com quase qualquer outra nação. O tamanho de problemas a serem equacionados passa por maior determinação governamental no investimento educacional, considerando o esquecimento histórico das elites dominantes para com os filhos dos menos aquinhoados. Foram necessários quinhentos anos para que o governo resolvesse enfrentar a dificuldade de acesso de tantos brasileiros ao ensino superior e, até mesmo, ao grau mínimo de alfabetização, pois ainda existem perto de 17 milhões de analfabetos. Impedimentos ainda permanecem. São quinhentos anos de vista grossa para com a educação dos filhos das classes trabalhadoras, particularmente, as gerações afro-descendentes e indígenas, enfatizando-se a limitada educação das mulheres.

O percentual de 10% do PIB nacional é superior aos demais países em discussão. Contudo, o percentual de problemas acumulados no campo educacional, motor para o avanço e melhoria da vida do país e das pessoas, ainda é muito grande e, talvez, esse índice seja pequeno para se imprimir maior velocidade à superação dos mesmos.

Essa velocidade no avanço do campo educacional é muito lenta. O índice pode até parecer além da conta, se comparado com países que já equacionaram os seus problemas educacionais e a produção de tecnologia, há séculos passados. Aqueles países investem, hoje, tão somente para a manutenção da escola. Aqui, cabe a organização dos anos de escolaridade, da formação do profissional da educação, e, somada e interconectada com esses outros – a tão necessária e boa qualidade da educação.

José Francisco de Melo Neto

Presidente do Conselho Estadual da Educação

Fonte: e-mail recebido. A foto que ilustra o artigo retirei do blog http://dezporcentoja.blogspot.com.br/

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